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Professor do IFSP publica artigo em revista colombiana e questiona o lugar da alegria na escola

  • Publicado: Quarta, 22 de Abril de 2026, 14h57
  • Última atualização em Quarta, 22 de Abril de 2026, 14h59

Durante o período da pandemia, os estudiosos Pedro Henrique Joaquim (IFSP – Campos do Jordão) e Valmir Luis Saldanha (IFSP – Jacareí / Campos do Jordão; Unesp) perceberam que a distância entre estudantes e professores acentuava um processo que já vinha acontecendo: a ideia de que ou a aula deveria se transformar em um show ou deveria ser utilitária, portando saberes de ordem prática e puramente racional. O incômodo com isso fez com que Pedro e Valmir passassem a discutir a seguinte pergunta: “Quando foi que deixamos de levar em consideração os afetos no processo educativo?” Sem a pretensão de ter a resposta definitiva para o assunto, os autores agora apresentam os resultados de sua investigação sobre a serventia de uma educação estética em tempos de debate sobre os rumos da escola no artigo “Educação e alegria: afetos na construção de um diálogo possível entre Espinosa e Snyders”, publicado na Revista Colombiana de Ciencias Sociales (Clique aqui para acessar o artigo).

O trabalho de Pedro e Valmir é uma reflexão teórica sobre práticas didático-pedagógicas que entristecem alunos e alunas, em vez de criar possibilidades de    desenvolver a alegria com os conteúdos ensinados e aprendidos. Mas, ao contrário do que possa parecer, os autores não querem se valer do pensamento   neoliberal nem das teorias de pedagogias ativas, que se relacionam com os alunos e as alunas como se estes fossem clientes e que, portanto, não podem ser   frustrados em seus desejos.

Na verdade, o que o artigo apresenta é uma defesa da alegria na escola, em que os conteúdos culturais sejam os responsáveis por aumentar a potência de vida de todas as pessoas envolvidas nesse processo. Nesse sentido, os docentes não têm que ser “engraçados” e “brincalhões” para atingir os objetivos pedagógicos, mas devem compreender que o fenômeno da educação se dá numa relação de encontros: encontros entre pessoas e encontros entre pessoas e fenômenos da natureza, conteúdos culturais e bens simbólicos.

Conforme Valmir Saldanha, “A educação que se esquece do corpo é falha. Lógico que precisamos auxiliar no desenvolvimento intelectual dos alunos. Porém, precisamos também compreender que a racionalidade é afetada por sentimentos, por emoções. Estes afetos interferem nas capacidades cognitivas e, muitas vezes, a escola não se atenta a isso. Mas essa não é uma questão que o professor ou a professora tem que resolver por si, é uma questão do sistema educacional, que tem que privilegiar os encontros humanos como potencializadores de alegria”.

Pedro Joaquim complementa afirmando que “Nossa intenção foi a de atualizar o conceito de afetos de Espinosa e aproximá-lo do fenômeno da educação. Além de devolver ao debate o pensamento de Snyders, já que ele faz uma ponderação, um equilíbrio entre dinâmicas de afecções e o pensamento crítico de base materialista e histórico-dialética. Hoje, se quisermos falar de educação socioemocional, por exemplo, parece que há apenas a possibilidade de seguir por um caminho, que é o neoliberal. No entanto, precisamos resgatar esse lado emocional humano e superar a racionalidade cartesiana. Por isso é que temos de continuar apresentando fundamentos teóricos que permitam aos professores pensar em novas possibilidades de discurso que não sejam apenas o discurso dominante”.

Conforme os autores concluem no artigo “Sem rostos e sem afetos intencionais com vistas à alegria, a educação não chega a realmente dar-se em sua plenitude e a escola torna-se apenas o local de tristeza do qual os alunos querem fugir sempre e o mais rápido possível”.

Pedro Henrique Joaquim

(IFSP – Campos do Jordão)

Valmir Luis Saldanha

(IFSP – Jacareí / Campos do Jordão; Unesp)

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